Saturday, 04 de July de 2020

OPINIÃO


Opinião

Bibliotecário e a era do conhecimento

12 Mar 2013

Ana Maria Valente Sanches
Bibliotecária da Procuradoria da República no Tocantins


12 de março é o Dia do Bibliotecário, profissional que trabalha na área do estudo, pesquisa, registro bibliográfico, organização e transferência informacional de documentos convencionais e não convencionais. No Brasil, esse marco foi em homenagem ao engenheiro, bibliotecário, escritor e poeta Manuel Bastos Tigre, nascido em 12 de março de 1882.

Contudo, a situação atual dos bibliotecários nas escolas ainda é uma situação de calamidade pública. Muitas nem sequer possuem bibliotecas. Não raro, é algum professor que se encarrega de organizar o acervo. Em outras, os livros se atulham sob escadas, corredores ou salas inadequadas. O impacto é extremamente negativo na formação dos alunos, principalmente na idade em que a leitura precisa ser valorizada para que seu hábito se cristalize.

No intuito de reverter esta situação, a Lei nº 12.244 estipulou que até 2020 todas as instituições públicas e privadas de todos os sistemas de ensino do país tenham bibliotecas, com um acervo de livros de, no mínimo, um título para cada aluno matriculado. A fiscalização é incumbência do Ministério Público Federal no âmbito das instituições de ensino superior e das instituições federais de ensino (escolas técnicas federais), e do Ministério Público Estadual no tocante às escolas do ensino médio e fundamental.

As entidades de Classe, como o Conselho Federal de Biblioteconomia (CFB) e os Conselhos Regionais nos Estados(CRBs) devem procurar estas instituições para que sejam parceiras também na fiscalização destas instituições para que o atendimento à lei de universalização das bibliotecas torne-se uma realidade.

Num país como o Brasil, onde as disparidades sociais transformam o livro em privilégio, o Bibliotecário tem a importância de um agente cultural e função pedagógica inquestionável. O artigo 3º do Código de Ética Profissional determina que o Bibliotecário deve “preservar o cunho liberal e humanista de sua profissão, fundamentado na liberdade da investigação científica e na dignidade da pessoa humana”. Essa obrigação, que deve ser cumprida como missão, contribui para uma sociedade mais justa, apesar de todas as limitações que impuseram, ao longo de anos, a desvalorização profissional, tais como: baixos salários, atividades insalubres e estressantes e falta de investimentos em treinamento e de reconhecimento, pelo mercado, de suas competências.

Hoje talvez falte ao bibliotecário a consciência de que a biblioteca pode atuar como instrumento de mudança social, pois a defesa da liberdade intelectual, a garantia do pluralismo das coleções e a defesa do livre acesso à informação são atividades políticas exercidas diretamente ou indiretamente pelos profissionais da informação.

No momento em que governo e sociedade no Brasil se dão conta de nossos vergonhosos níveis de educação e leitura e se mobilizam para superá-los por meio de programas de incentivo, o bibliotecário deve ser proativo no processo de desenvolvimento das necessidades sociais da sociedade aliando-se à essas políticas públicas, que, aliados à tecnologia da informação poderão ajudar o pesquisador, o profissional e o cidadão a pinçar, entre uma infinidade de informações, aquelas que realmente lhe interessam e que são confiáveis. A possibilidade de acesso mais democrático à informação, à literatura e à cultura em geral permitirá que se pratique a plena cidadania.

Segundo Targino (2006, p. 71): “Não há exercício da cidadania sem informação. Isto porque, até para cumprir seus deveres e reivindicar seus direitos, sejam eles civis, políticos ou sociais o cidadão precisa conhecer e reconhecê-los, e isto é informação”. Nesta perspectiva podemos compreender o conceito de informação como sendo uma contribuição social para a conscientização do homem sobre seus direitos e seus deveres.

Como Bibliotecária do Ministério Público Federal no Tocantins, com quase 15 anos na profissão, venho conclamar todos os bibliotecários, independente da instituição à qual estejam vinculados, a abraçar o Manifesto do IFLA de 2005 sobre “transparência, bom governo e ausência de corrupção”, no sentido de lembrar que a biblioteca é uma instituição necessária ao exercício da democracia e que deve ajudar na defesa dos direitos civis, na promoção da cidadania e no combate à corrupção, metas essas impossíveis fora do âmbito político tanto para as bibliotecas quanto para os seus profissionais.

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