Tuesday, 17 de September de 2019

OPINIÃO


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Cenário político de Palmas: “aparentar ser ” e o “fazer de fato”

23 Jun 2019    10:38    alterado em 23/06 às 11:35
Arcos da ponte sobre o Lago de Palmas. Cenário político de Palmas: “aparentar ser ” e o “fazer de fato”

Apesar de estarem interligados, existe uma distância enorme entre o “aparentar ser” e “fazer de fato” na gestão pública. Muitas vezes o administrador confunde a sua real obrigação enquanto dirigente do bem público mergulhando no oceano da vaidade pessoal. Nesse caso cria-se uma realidade paralela onde tudo parece perfeito. Na maioria das vezes esse tipo de gestor só acorda quando tem o choque de realidade vindo das ruas. O povo identifica e repudia com vaias em eventos oficiais para depois dar o tiro final nas urnas. A população sabe identificar quando o poder da caneta está a serviço do bem comum ou de um grupo específico. A política do pão e circo vai aos poucos deixando o presente e ocupando seu lugar no passado. O mandatário tem a obrigação moral de fazer o certo e a sua imagem jamais poderá se sobrepor ao feito. Quando essa ordem é invertida a vaidade acaba sendo o caminho natural da sua ruína. O político sério e inteligente consolida sua vida pública em cima de três pilares: HONESTIDA, HUMILDADE E RESPEITO. Os que fogem desse tripé acabam sempre criando a sua “realidade” paralela.  

Já que estamos falando de “ser” e “fazer”, vamos ao processo eleitoral antecipado das eleições da nossa capital Palmas. Quem acompanha o noticiário e a movimentação da prefeita Cinthia nos últimos dias percebe que o paço municipal já colocou o seu bloco na rua. A prefeita virou “popstar” e, também, repórter apresentadora de programa. Na sua rede social favorita, o Twitter, Cinthia dispara duras críticas contra seu antigo aliado e hoje principal rival Carlos Amastha. O ex-prefeito rebate com todo seu sarcasmo e humor ácido. Antes o que era apenas um grupo se fragmentou em dois.

A estratégia de marketing usada pela prefeita continua sendo a mesma adotada pelo seu antecessor. Quem quiser encontrar a chefe do executivo basta dar uma passadinha nas redes sociais, em especial o Twitter, onde ela afirmou recentemente que “No fantástico “Mundo de OZ” muita magia fazia o estranho universo ser quase perfeito. Enquanto isso Dorothy seguia o caminho, procurando respostas além do arco-íris. Ainda bem que Palmas não é OZ e a era do faz de conta acabou. Não vamos perder a linha, nem o foco. Simples assim!”. Esta é uma dura resposta às críticas feitas por Amastha em relação a queda na qualidade dos atendimentos das UPAs.

Além do embate com seu ex-aliado Cinthia tem demonstrado total preocupação com seu futuro político, razão pela qual ofereceu a mão em noivado para dois partidos nos últimos dias. O MDB e o DEM recusaram de imediato a oferta de noivado da prefeita tendo em vista que o DEM demonstra interesse apoiar Wanderlei Barbosa na disputa e o MDB ventila lançar Dulce Miranda.   

Estando ou não Palmas no “Mundo de OZ” a prefeita foi surpreendida no Facebook essa semana com uma cobrança pública de um artista local. Na publicação que a prefeita fez ao lado de uma criança, o cantor Roberto Alves pediu para a mandatária pagar o cachê dos artistas que fizeram a animação da temporada de praias das Arnos no ano passado. Segundo Roberto, cada artista fechou o cachê em torno de R$ 2 mil reais. Na cobrança o artista falou que não tinha nada contra a prefeitura pagar o valor de R$ 550 mil reais a dupla Henrique e Juliano, mas que não esquecesse também de pagar o pequeno cachê dos artistas locais. A publicação de Roberto acabou sendo excluída dos comentários da foto da prefeita por ele mesmo.

O grupo de artistas que está a um ano sem receber pelo trabalho realizado se mobilizou nos últimos dias para buscar um entendimento com o município para solucionar o imbróglio. Temendo algum tipo de manifestação pública por parte dos prejudicados a prefeitura se comprometeu em achar uma saída para o pagamento. Esse episódio mostra a desorganização na gestão. O “espetáculo” foi montado e a festa aconteceu com o chapéu dos outros, no caso dos artistas.

Paralelo ao “Mundo de OZ” criado pelo grupo ora esfacelado “Amastha/Cinthia”, é visível a grande movimentação palaciana em torno do possível e quase certo candidato oficial da Praça dos Girassóis, o vice-governador Wanderlei Barbosa (PHS). Quem tem acompanhado Wanderlei pelas andanças percebe que o alicerce já está sendo construído e a única dúvida que paira é se o candidato seria Wanderlei ou o seu filho deputado estadual Léo Barbosa. Herdeiros do legado político do pai e avô, primeiro prefeito de Palmas, Fenelon Barbosa, os dois tem percorrido todas as regiões de Palmas em uma visível aproximação com o eleitor. 

Carismático, o vice-governador conseguiu eleger seu filho Léo Barbosa para vereador de Palmas e, no último pleito, para deputado estadual. Mesmo não tendo sido martelado sua candidatura a prefeito de Palmas, Wanderlei já recebeu o aval do governador Mauro Carlesse (DEM), que sempre que possível dá as bênçãos palacianas durante os vários eventos do governo em que Wanderlei está presente.

Em outra ponta existe a movimentação de candidatos independentes. O deputado estadual Júnior Geo e o deputado federal Eli Borges têm demonstrado interesse em concorrer ao próximo pleito. O deputado Geo tem se mostrado atuante como parlamentar cobrando resultados do governo. Ainda como vereador Geo foi oposição contundente na gestão Amastha. Saiu da Câmara Municipal deixando de herança a instalação da CPI do PreviPalmas.

Já o deputado Eli Borges tenta fortalecer as bases do Solidariedade que cogita seu nome na disputa. Eli não confirma e nem descarta a possibilidade de concorrer à prefeitura da capital. O nome do deputado sofre restrições porque sua candidatura poderia desagradar a ala católica da capital, já que a eventual eleição do parlamentar representaria uma cruzada evangélica na capital. Nesse ponto aí o deputado Eli Borges ainda disputaria votos diretamente com a prefeita Cinthia, que apesar de não assumir publicamente, todos sabem da sua aproximação com seguimento religioso evangélico de Palmas.

Também é ventilado o nome da ex-primeira dama do Tocantins e deputada federal Dulce Miranda (MDB). Caso candidata e eleita, Dulce poderia representar um suspiro de vida da família Miranda que sofre desgaste pelo enfraquecimento político do seu principal líder, o ex-governador cassado duas vezes, Marcelo Miranda (MDB). O trabalho desenvolvido por Dulce Miranda na época em que foi primeira dama já a credencia para disputar o cargo com condições de competitividade.  

É fato que a campanha eleitoral de 2020 já começou. As pedras já estão se posicionando no tablado. Até o momento, de oficial mesmo, somente a candidatura à reeleição da prefeita Cinthia que, naturalmente, já sofre o desgaste que o cargo lhe impõe. Sendo ela detentora da caneta que decide o destino da capital, também passa a ser a principal vitrine no jogo que começa a ser montado. E caneta na mão nunca foi prerrogativa de vitória, pois se fosse os ex-governadores Sandoval Cardoso e Carlos Gaguim e a ex-prefeita Nilmar Ruiz teriam sido reeleitos.

Na política o fundamental não é “aparentar ser” e sim “fazer”. Para quem detém o mandato como é o caso da Cinthia cabe o desafio de convencer o povo que vale a pena continuar. E para isso pode ter certeza que não funciona o abraço e o beijo forçado. O povo sente e identifica o “abraço que não abraça e o beijo que não beija”. Para os outros existe o desafio de fazer o povo acreditar que a mudança vai ser o caminho certo para tirar Palmas do marasmo e estagnação econômica. Enquanto a hidrovia Araguaia/Tocantins não chega aos arcos da grande ponte, esta vai testemunhando o passar das águas do Rio Tocantins e a movimentação dos que querem “ser” e “fazer” pela bela e economicamente sofrida Palmas. (Wibergson E. Gomes). 

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