Wednesday, 19 de December de 2018

OPINIÃO


Ciência e Tecnologia

Diretor de Logística

23 Oct 2017

Os diretores de logística, por incrível que pareça, são figuras quase inexistentes tanto em nível estratégico quanto tático nas organizações de ciência e tecnologia. Essa surpresa é tão maior quanto mais dispersa espacialmente for a organização, as chamadas organizações multicampi. O que era de se esperar é que, em organizações onde a dispersão espacial fosse alta, a fundamentalidade das operações logísticas fosse de uma ordem tal que justificaria e exigiria a sua contemplação no organograma organizacional. Mas não é isso o que acontece nas organizações brasileiras de ciência e tecnologia. Mas há umas poucas honrosas exceções. Este artigo tem como objetivo mostrar o papel dos diretores de logística nas organizações de ciência e tecnologia.

Em primeiro lugar, logística é uma atividade meio. Aliás, é a atividade-meio por excelência. A finalidade de toda unidade logística é suprir. Tecnicamente, as unidades logísticas suprem tudo e a todos, desde os conselhos de administração (que nas organizações de ciência e tecnologia recebem diversos nomes, como consun, consu, consuni etc.), que se situam acima das equipes executivas (reitores e pró-reitores) até os indivíduos das linhas de operação, como professores e técnicos sem cargos de comando.

As atividades de suprimento estão divididas, tanto didática quanto operacionalmente, em provisão de recursos, equipamentos e informações. Os recursos são divididos em humanos e não humanos. Muitos se surpreendem quanto ao fato de o suprimento de pessoas ser uma atividade logística, da mesma forma que o é o suprimento de qualquer material de consumo ou de produtos utilizados nos laboratórios de pesquisas. Outros, especialmente o pessoal de TI, também se surpreendem com a necessidade de suprimento de informação seguir os procedimentos e técnicas de TI. O que se pretende que seja compreendido é que tudo o que disser respeito a suprimento de recursos, equipamentos e informação é atividade logística.

Em segundo lugar, para que haja o suprimento, os profissionais de logística pretendem ter conhecimento completo dos fluxos de informação (que vai do cliente ao fornecedor de última camada), produção (do fornecedor de última camada ao cliente) e financeiro (que novamente começa no cliente e termina no fornecedor de última camada).

Os diretores de logísticas precisam ter visão organizacional e interorganizacional. São esses profissionais que permitem, por exemplo, que os equipamentos que a organização de ciência e tecnologia precisa e que ainda não existem sejam produzidos. Isso é feito a partir de procedimentos e técnicas de desenvolvimento de fornecedores a partir de atitudes chamadas contemporaneamente de strategic sourcing. Infelizmente o analfabetismo gerencial tem imaginado, no máximo, que os profissionais de logística são meros compradores, ignorando que a aquisição é apenas uma das etapas de uma das diversas atividades logísticas.

Como consequência, os diretores de logísticas são os formadores e gerenciadores do gerenciamento da cadeia de suprimentos da organização. Isso implica em postura de liderança e capacidade de negociação atualmente inimaginável por praticamente todas as organizações de ciência e tecnologia nacionais. É provável que a aplicação dos procedimentos e técnicas de supply chain management reduzisse os custos de operação dessas organizações superiores a 30%.

Indo um pouco além, e como decorrência desses desdobramentos, logística é quem gerencia os recursos materiais, financeiros e pessoais naquelas operações em que a organização de ciência e tecnologia precisa entregar produtos ou serviços. É o caso, por exemplo, de certa organização que produz matéria-prima para a produção de fármacos e produtos cosméticos. Essa organização tem como atividade-meio essencial a gerência de logística, responsável pela aquisição de todas as necessidades organizacionais quanto a distribuição dos produtos até sua chegada aos clientes.

O que se deve compreender é que toda organização é um sistema de produção, principalmente as de ciência e tecnologia. Nestas organizações, as atividades logísticas são tão essenciais quanto desconhecidas que planejamento da produção e operações, aquisição, acondicionamento, armazenamento e distribuição interna nas unidades e interunidades não são feitas tecnicamente. Como consequência, a fundamentalidade do monitoramento e gerenciamento das operações e informações não é feito com a suficiência necessária para que os objetivos de metas organizacionais (que também não seguem procedimentos técnicos) sejam alcançados.

Os diretores de logísticas são os profissionais de excelência para garantir a chamada governança organizacional, corporativa. Isso quer dizer que esses profissionais monitoram as informações e dados sobre o ambiente externo e interno, transformam em propostas de produtos e serviços, elaboram esquemas de suprimento dessas necessidades, calculam os resultados possíveis de serem auferidos pelo suprimento e projetam esses resultados para o longo prazo, para que os dirigentes estratégicos possam tomar as decisões sobre produzir ou não.

Não existe produção sem logística. A própria produção é uma parte do sistema logístico global. Isso quer dizer que formar profissionais (ensino), produzir conhecimentos (pesquisa), distribuir os conhecimentos (extensão), criar novos produtos e serviços (inovação) e suprir diretamente as necessidades dos ambientes interno e externo (empreendedorismo tecnológico) são partes de um sistema maior chamado Logística. Isso é suficiente para que se possa começar a compreender o quanto precisamos alterar nas práticas gerenciais das organizações de ciência e tecnologia nacionais para que possam cumprir efetivamente com suas missões e colaborar para com o desenvolvimento local e nacional.

*Daniel Nascimento-e-Silva, PhD
Professor e Pesquisador do Instituto Federal do Amazonas (IFAM)

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