Tuesday, 19 de February de 2019

OPINIÃO


Ciência e Tecnologia

Diretor de Planejamento

21 Dec 2017

Um paradoxo faz parte de grande parte das organizações de ciência e tecnologias brasileiras: são extremamente carentes de planos, mas teimam em manter em suas estruturas, em posição estratégica ou tática, a função de planejamento. Seus dirigentes não percebem que talvez essa seja a causa da falta de planejamento, o fato de existir uma posição com essa função. E parece extraordinária essa constatação, a de que planejamento é uma função gerencial e não uma posição. Se é uma função, o planejamento é obrigatório para todos aqueles que ocupam posições gerenciais, e não que essa responsabilidade recaia exclusivamente sobre os ombros de um indivíduo ou unidade organizacional. Este artigo tem como objetivo mostrar porque o diretor de planejamento não deve existir nas organizações de ciência e tecnologia, e provavelmente em nenhum tipo de organização.

A administração só funciona se quatro agrupamentos de procedimentos forem realizados: planejamento, organização, direção e controle. A palavra função significa justamente isso: fazer a organização funcionar. Se uma dessas funções não for executada ou se o for de forma inadequada, o processo gerencial estará comprometido e, consequentemente, o alcance dos resultados pretendidos. Dessa forma, saber utilizar esses procedimentos e suas ferramentas é exigência básica para a gestão funcione.

O planejamento é a função que foca duas coisas: o que fazer e como fazer. O que fazer é chamado, tecnicamente, de objetivo, o resultado que se pretende alcançar. Estratégia é o termo técnico para o como fazer. Se pretendo elevar o grau de eficiência do sistema de ensino da minha organização, a unidade organizacional responsável pelo ensino deve decidir o grau de eficiência que pretende alcançar (objetivo) e a forma como isso deverá ser feito (poderia ser utilizar estratégias de aprendizagem ativas, implantar recursos didáticos tecnológicos e reordenar os conhecimentos, habilidades e atitudes a serem adquiridas pelos alunos, por exemplo). Um plano é sempre esse esquema do que fazer e como será feito.

Quando se institui a posição (lugar na hierarquia organizacional) de diretor de planejamento está-se dizendo que toda a responsabilidade pela decisão do que fazer e do como fazer recai sobre os ombros desse executivo e de sua unidade. Se essa posição está em nível estratégico, toda a responsabilidade dos planos da organização é desse executivo; se está em nível tático, que é nosso foco neste artigo, toda a responsabilidade do setor (ensino, pesquisa, extensão, inovação ou empreendedorismo tecnológico) está com o seu executivo principal, o diretor de planejamento.

Ora, se toda a responsabilidade pelo planejamento está com alguém, o que os outros farão? Se o diretor de planejamento tem a obrigação de dizer o que tem que ser feito e como fazer, de que maneira os outros executarão as demais funções de organização, direção e controle, se todas elas exigem também o uso da função planejamento? 

Vamos a exemplos. Na função organização, para organizar as pessoas, é necessário ter um plano de organização de pessoas; para organizar o trabalho, é preciso um desenho (plano) do processo de trabalho; para organizar as operações é fundamental um plano de operações. Na função direção, para implantar um esquema de motivação, é necessário planejar esse esquema, da mesma forma que a execução de um sistema de informação e comunicações é preciso que o sistema seja planejado. A mesma coisa acontece com a função controle: para que resultados possam ser avaliados é necessário que seja criado (planejado) um sistema de avaliação, assim como para medir metas é necessário um plano de mensuração.

Para os especialistas em gestão é impensável, irracional, ilógico que haja uma posição de planejamento em qualquer organização. Vejamos o porquê. Em muitas organizações de ciência e tecnologia há o diretor acadêmico. Dele é a responsabilidade de gerar todos os resultados relativos ao ensino. Para que faça isso, é necessário que planeje as atividades, identifique, obtenha, aloque, use e avalie o uso de todos os recursos necessários para que as atividades sejam executadas de maneira satisfatória, que é do que se ocupa a função organização. Mas isso não é suficiente para que os resultados sejam alcançados. O mesmo diretor e sua equipe devem executar a função direção através de esquemas de liderança, motivação e comunicações. Como também isso não é suficiente, precisam utilizar a função controle para que possam padronizar, medir, avaliar e replanejar atividades e metas.

Não dá para separar planejamento de gestão, da mesma forma que não dá para separar o cérebro ou o coração de uma pessoa e fazê-la continuar funcionando, vivendo. Quando se fala em gestão, está implícito, tão claro quanto o dia, que se está falando de planejamento, organização, direção e controle. Não  há gestão sem planejamento, da mesma forma que não há planejamento sem gestão. Por isso é asneira nominar unidades organizacionais como "Departamento de Planejamento e Gestão" ou "Diretor de Administração e Planejamento" ou, o que é pior "Secretaria de Gestão, Planejamento e Administração". Pura sandice e demonstração explícita de analfabetismo gerencial.
Todas as posições gerenciais, não importam o nível organizacional, têm a obrigação, maior ou menor, dependendo do poder que lhe atribuíram, de planejar. Se não planeja, não é gestor. O que pode acontecer, e isso é recomendável, é que haja uma unidade organizacional e setoriais que dê suporte ao planejamento e consolidação de resultados alcançados pelas subunidades organizacionais ou setoriais. Por exemplo, é recomendável que haja um comitê de planejamento estratégico para o suporte de planejamento de toda a instituição e/ou o grupo de planejamento setorial, que envolveria os executivos de cada setor. Regra geral, onde existe uma unidade responsável global pelo planejamento haverá ineficiência, justamente o que o planejamento combate. Isso significa que ter uma unidade de linha central de planejamento é tão nocivo quanto não tê-la.

*Daniel Nascimento-e-Silva, PhD
Professor e Pesquisador do Instituto Federal do Amazonas (IFAM)

COMPARTILHE:


Confira também:

Crônica
O TEMPO

Mulheres Presas

Neste ano, nove mulheres foram presas por tentar entrar com ilícitos em unidades penais do Estado

Após, a mulher confessou as agentes que carregava um celular na genitália e foi conduzida para a Unidade de Pronto Atendimento Norte, em Palmas, para retirada do aparelho.

Ponte de Porto

Defensoria e OAB vão integrar comissão que trata sobre interdição da ponte de Porto Nacional

Audiência, realizada na sexta-feira, 15, debateu os principais impactos gerados com a interdição


Ocorrência

Polícia Civil apreende 30 kg de maconha e prende traficante no Sul do Estado

As investigações da Polícia Civil constataram que Hailton trazia, do Estado de Goiás, grandes quantidades de entorpecentes para Gurupi e região, e que, nessa madrugada, outra remessa chegaria ao Tocantins.


Meio Ambiente

Municípios têm apenas 30 dias para protocolar processo do ICMS Ecológico no Naturatins

De acordo com a legislação, anualmente, os municípios tem prazo até o dia 15 de março, para manifestar o interesse e comprovar o cumprimento das exigências, conforme disposto no Decreto nº 5.264/2015.


Diálogo

Secretários apresentam plano de reestruturação à instituições dos diferentes poderes do Estado


Itelvino Pisoni

Sistema Fecomércio Tocantins realiza visita a Prefeita Cinthia Ribeiro


Tocantins

Dispara número de casos prováveis de doenças transmitidas pelo Aedes aegypti


HGP

Defensoria emite recomendação para Sesau por desassistência na oferta de cirurgias cardiológicas em Palmas


Adapec

Produtor rural pode emitir Guia de Trânsito Animal de qualquer localidade


Segurança

Identificação facial e papiloscópica da Polícia Civil é destaque em operações de combate à criminalidade no Tocantins



  Blogs & Colunas


TiViNaLili

Lili Bezerra


Entre nós

Virgínia Gama


Arquitetura & Design

Riquinelson Luz


Vida Plena

Valquiria Moreira


As Tocantinas

Célio Pedreira