Tuesday, 10 de December de 2019

OPINIÃO


Filosofia

Filósofo opina sobre posição de Bolsonaro de acabar com curso de filosofia em faculdades públicas

26 Apr 2019
Divulgação Filósofo opina sobre posição de Bolsonaro de acabar com curso de filosofia em faculdades públicas

Recentemente, o presidente Jair Bolsonaro acompanhado do ministro da educação Abraham Weintrab manifestou que o país precisa investir os recursos da Educação em áreas consideradas pelo atual governo primordiais para o país e de retorno rápido para a população. Com isso, Bolsonaro pretende descentralizar investimentos nos cursos de filosofia e sociologia, direcionando a outras áreas.

O filósofo Fabiano de Abreu opinou sobre o tema com base em sua experiência e posicionou-se sobre a questão: "Como eu sempre disse, o filósofo nasce filósofo. Não é formar-se em filosofia que faz da pessoa um bom filósofo e há uma diferença entre o que se conhece dos outros filósofos e das teorias da filosofia em relação ao uso da filosofia em prol da vida humana e da sociedade. Retirar recursos das faculdade de filosofia federais não necessariamente está acabando com a filosofia, pois haverão as particulares. Pode ser um meio dos centros acadêmicos particulares incluirem cursos de filosofia a baixo custo”.

Para o filósofo, a decisão de não investir mais neste campo de conhecimento trata-se de uma estratégia de investimento, mas o mesmo também afirma que poderiam haver outras alternativas de cortes de gastos: "se eu tivesse que escolher, eu optaria por não acabar com a faculdade de filosofia, mas não sou um governante e nem tampouco tenho acesso ao balanço financeiro do MEC para saber aonde há uma maior prioridade. Mas eu questiono qual o valor da filosofia para o Brasil e para os seus governantes? Eu sempre disse que deveria ter o ensino de filosofia nas escolas, no ensino médio, para ajudar o estudante a desenvolver a capacidade de raciocínio, senso crítico e na forma como as pessoas veem o mundo e a sociedade. Assim como sou a favor de psicólogos mais presentes na vida de todos os alunos”. 

Como alternativa a extinção de investimentos em filosofia, Fabiano ponderou que talvez a extinção de alguns privilégios da classe política pudessem ajudar a aliviar o orçamento: "resumidamente tem que ser vistas quais são as prioridades. Acredito que existem outros gastos que poderiam ser cortados antes mesmo de qualquer coisa ligada a educação. Educação é algo que na atual conjuntura do Brasil continua sendo um investimento importantíssimo. O país padece com problemas históricos de educação e cultura. Em vez de cortar gastos na educacao, poderia ser interessante reduzir o número de políticos e servidores públicos, assim como privilégios".

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