Wednesday, 19 de December de 2018

OPINIÃO


Ciência e Tecnologia

Fluxo de caixa

01 Feb 2017

A ignorância gerencial dos gestores de organizações de ciência e tecnologia é bastante visível no setor financeiro. Uma das provas incontestes é que quase nenhum dos gerentes usa o fluxo de caixa como ferramenta de gestão; com raras exceções, quase ninguém a conhece. Contudo, é quase unanimidade entre os que desconhecem essa ferramenta de que sua utilidade só se aplica ao pessoal de finanças e contabilidade. Ainda assim, apenas em organizações privadas. Justificam-se dizendo que o fluxo de caixa só é aplicável em organizações que visam ao lucro. Desconhecem que, com poucas exceções, em relação ao quantitativo de ferramentas e procedimentos gerenciais, os instrumentais gerenciais se aplicam a todas as organizações. E organização é todo agrupamento humano, público ou particular, que tenha pelo menos um objetivo em comum. Neste sentido, este artigo tem como objetivo mostrar a fundamentalidade do fluxo de caixa no gerenciamento de organizações de ciência e tecnologia.

O fluxo de caixa lida com recursos financeiros. Há inúmeras formas e tipos de recursos nas organizações, tais como prédios, equipamentos, capacidade gerencial, capacidade de inovação, dentre outros. Fluxo de caixa é um instrumento que ajuda a gerenciar dinheiro. Sua lógica é a seguinte: tudo o que é feito em uma unidade organizacional e na organização total consome recursos. Treinamento de pessoal, por exemplo, consome diversos tipos de recursos. Esses diversos tipos de recursos podem ser traduzidos em termos monetários, em dinheiro. Muitas vezes é necessário que o próprio dinheiro seja especificamente descrito e controlado, tais como as previsões de pagamentos e a sua efetivação.

Como toda e qualquer atividade consome recursos, que podem ser traduzidos em linguagem monetária, toda unidade organizacional (uma parte da organização total, como uma "coordenação de curso" ou a "gerência de relacionamento com a comunidade") precisa saber quais as atividades pretende desenvolver no ano. A previsão de atividades (tecnicamente chamada de Previsão de Produção), para que ganhe viabilidade econômico-financeira, precisa prever com realismo quanto custa cada uma delas, ou seja, como cada atividade tem um custo, esse custo precisa ser previsto. O quadro de custos é uma das partes de um fluxo de caixa.

Depois de identificado o custo de cada atividade, é necessário saber quando esses custos vão acontecer. Por exemplo, para a Capacitação de Pessoal pode acontecer de serem necessários três pagamentos: um em março, para a empresa que vai fazer o treinamento, um em abril, para a empresa que vai fornecer o material didático e outro em junho, para a organização responsável pelo espaço físico e coffee-break. Assim, no quadro de custos vão aparecer o nome do custo (por exemplo, "Pagamento da Empresa Capacitadora"), o valor a ser pago e a data que o pagamento será feito.

Como não tem pagamento sem dinheiro, é necessário que, para cada atividade prevista para realização, seja identificada a origem, a fonte dos recursos. Nosso exemplo de Capacitação de Pessoal pode ter uma ou várias origens. É necessário fazer uma lista das receitas que, juntas, vão fazer a totalidade dos recursos para fazer os pagamentos dos custos. A partir dessa lista é preciso fazer o quadro de receitas para cada atividade. Para isso, o gerente deve identificar a origem da receita (de onde vai ser tirado o dinheiro para cobrir os custos), o valor de cada receita de cada fonte e a data em que essa receita vai estar disponível para movimentação.

Vamos imaginar que, ainda no nosso exemplo, três sejam as origens: fonte A, no valor de R$ 80.000,00, fonte B, no valor R$ de 50.000,00 e fonte C, no valor de R$ 20.000,00, cujo total é de R$ 150.000,00. Essas receitas estarão disponíveis em fevereiro, março e abril de 2016, respectivamente.

Esse procedimento de identificar o item de custeio (o que temos que pagar), seu valor monetário e data de pagamento (data de saída de recursos) tem que ser feito para com todas as atividades que a unidade organizacional pretende desenvolver no ano. A mesma sistemática deve-se aplicar no outro lado, o das receitas, que representa entrada de recursos. Quando essas duas sistemáticas fazem parte de um mesmo quadro ou planilha, eletrônica ou não, tem-se o chamado fluxo de caixa. Fluxo de caixa, portanto, é a ferramenta gerencial que descreve as entradas e saídas de recursos financeiros para a realização de uma ou diversas atividades em uma unidade organizacional e/ou na organização total.

Perceba que o papel da gestão é aumentar a probabilidade de que seus objetivos e metas sejam alcançados. A ferramenta do fluxo de caixa permite ao gestor aumentar o grau de precisão de sua previsão ao mesmo tempo em que torna mais rigoroso o controle da execução de seu projeto, de seu plano de ação. Para que um projeto (nome técnico de cada atividade que uma unidade pretende realizar) seja viável, precisa ser adequado técnica, econômica e financeiramente. O fluxo de caixa auxilia na avaliação econômico-financeira. Sem ele, qualquer pretensão passa a ser amadorismo.

A alfabetização financeira é uma exigência para todo e qualquer gestor. Como este artigo mostrou, tudo em uma organização consome recursos e quase todos consomem recursos financeiros. Conhecer a lógica financeira e os instrumentos e procedimentos que a colocam em prática é fundamental. É falta de responsabilidade, portanto, assumir qualquer cargo de gestão, seja ele operacional ou estratégico, sem o domínio das questões básicas de finanças. E isso não é difícil, como mostramos em relação ao fluxo de caixa.

*Daniel Nascimento-e-Silva, PhD
Professor e Pesquisador do Instituto Federal do Amazonas (IFAM)

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