Tuesday, 17 de September de 2019

OPINIÃO


Opinião

O “combinado” tem que ser com o povo

16 Jun 2019    10:20    alterado em 17/06 às 15:21
Divulgação O “combinado” tem que ser com o povo Prédio onde funciona a prefeitura de Palmas na Jk recebe apelido de Torre de Babel.

No dia 17 de fevereiro de 2014 recebi o convite do governador em exercício Sandoval Cardoso para uma visita em seu gabinete no Palácio Araguaia. Chegando lá encontrei um governador entusiasmado com seu projeto político de postular a reeleição depois de assumir em definitivo o mandato tampão. De caneta na mão o governador puxou uma folha de papel em branco e desenhou para mim o que iria acontecer de ali por diante. Toda combinação parecia fácil e perfeita. Fiquei por um tempo ouvindo e olhando para o papel desenhado com o esboço das estratégias da futura campanha. Depois da explanação do governador pedi para ele uma folha de papel em branco e comecei a desenhar o que pensava e achava do presente e do futuro político dele. Depois que finalizei meu gráfico e fiz minha explanação o governador se mostrava contrariado com tudo que falei. Lembro ter dito que, mesmo à época tendo ajustado as estratégias com Siqueira Campos e Eduardo Siqueira Campos, ele tinha esquecido de combinar com o principal: o povo. No final da conversa falei para o governador que a sua possível candidatura à reeleição já nasceria corrompida pelo desgaste e a falta de credibilidade por parte dos eleitores pela forma como a candidatura iria ser colocada. A visita findou sem um ponto de consenso entre a minha opinião e a dele. Mais adiante o que desenhei no papel se concretizou e o governador foi derrotado nas urnas, mesmo com a caneta na mão.  

Voltando um pouco no tempo, em uma tarde ensolarada de 12 de julho de 2012 recebi a visita na sede do Jornal O Girassol do candidato a prefeito de Palmas Marcelo Lelis (PV). Entusiasmado e eufórico com a certeza da vitória, o candidato me falou que já ultrapassava mais de 55% nas pesquisas de opinião e que tinha a seu favor lideranças de bairros e boa parte da comunidade evangélica graças a diversos pastores simpáticos a sua candidatura. Lembro que fui incisivo com o candidato quando abri a persiana do escritório que dá vista para o Palácio Araguaia e categoricamente falei: “Candidato, só existe uma maneira do senhor ganhar essa eleição”. No que ele me respondeu de imediato: “A eleição já está ganha Gomes, mas fale assim mesmo”. Com a persiana aberta apontei para o Palácio e disse: “rompa com o governo imediatamente antes que seja tarde”.

Falei para o candidato que ele havia combinado com o Palácio, com as lideranças e havia esquecido de combinar com o povo. Essa constatação eu tive quando passeando pela feira na Praça do Bosque me sentei para comer uma tapioca e ouvi de uma mulher a seguinte resposta quando perguntei em quem ela votaria para prefeito de Palmas. Sem titubear a senhora me respondeu com toda humildade e sinceridade: “Voto no estrangeiro que por sinal está falando melhor nossa língua que os daqui”. Num lance de intuição, saí daquela feira certo de que a vitória bateria a porta do então candidato desconhecido do meio político Carlos Amastha.

No mês seguinte, dia 20 de agosto de 2012, recebo a visita do candidato a prefeito de Palmas Carlos Amastha. Falei para ele o episódio da feira e disse que se não houvesse alguma alteração no cenário a vitória dele era dada como certa. Dito e feito, Amastha foi eleito para a surpresa de todos. O povo se negou a votar nos conchavos dos que detinham o poder e respondeu nas urnas elegendo alguém que até então representava mudanças. Passado o primeiro mandato Amastha se candidata à reeleição com um cenário dividido por uma população desacreditada com as práticas muito parecidas com as dos seus antecessores. Na reeleição o prefeito não tinha mais a seu favor o discurso do “novo” haja vista que os eleitores estavam decepcionados com o arrocho dado nos contribuintes que se viram coagidos com o aumento exorbitante do IPTU e outras taxas. O ex-prefeito surfava em um mar de rejeição que beirava 70% quando conseguiu reverter a situação graças a instabilidade da candidatura do seu principal opositor Raul Filho que tinha sérios questionamentos em relação ao registro eleitoral.

Somado as lembranças ainda recentes dos buracos e falta de cuidados com a cidade por parte da administração Raul Filho, Amastha conseguiu convencer mais uma vez o eleitor da capital conquistando seu segundo mandato. Mais à frente, de caneta na mão e se auto intitulando como a representação viva da “nova política”, o então prefeito larga a gestão municipal numa aventura em mar desconhecido. O resultado foi catastrófico já que o ex-prefeito candidato a governador perdeu inclusive na capital. Nesse episódio Amastha combinou tudo com ele mesmo, ignorando boa parte do seu grupo que se posicionou contrária a aventura.

Voltando mais uma vez no tempo lembro de outra “combinação” que não existiu e acabou pondo o projeto de reeleição da ex-prefeita Nilmar Ruiz por água abaixo. A ex-prefeita teve uma boa e dinâmica gestão. Transformou Palmas em um canteiro de obras. Asfaltou avenidas e quadras. Investiu no turismo de Taquaruçu. Transformou o paisagismo da capital. No final da gestão tinha todos os louros a seu favor. Costurou alianças com quase todos os partidos. Conseguiu arregimentar o apoio de praticamente todas as lideranças de bairros. Conquistou a simpatia das alas evangélicas e boa parte dos católicos.

Lembro que o seu opositor Raul Filho ficou praticamente isolado sem lideranças. O rolo compressor do Palácio Araguaia estava a seu favor. Já no final da campanha de reeleição ouvi de Raul Filho em visita ao Jornal O Girassol  a frase acertada: “Deixa ela com as lideranças que eu fico com o povo”. Dito e feito! Quando abriram as urnas em poucas horas as ruas de Palmas foram tomadas por uma carreata com camisas e bandeiras vermelhas com direito a caixão e enterro de um defunto que eles batizaram de “UT” (antiga União do Tocantins criada por Siqueira Campos). O caixão com os “restos mortais” do que seria a União do Tocantins – UT seguiu em cortejo pela avenida Teotônio Segurado até a avenida Palmas Brasil, levado por uma população eufórica por mudança.

Parando agora no presente vamos falar da “combinação” do momento atual. A prefeita Cinthia convocou na semana passada seu secretariado para uma série de mudanças. Percebendo que seu governo ainda não deslanchou e que a opinião pública começa a virar as costas para sua gestão, Cinthia tenta às pressas reverter o baixo índice de popularidade e falta de conhecimento do seu nome. O grande problema enfrentado pela chefe do executivo é se deparar com uma população que elegeu um prefeito e hoje é governada por outro.

Na maioria das vezes o eleitor vota em um candidato sem analisar e levar em consideração o seu vice. Fato esse ocorrido na capital já que a população de Palmas não esperava a renúncia de Carlos Amastha para concorrer ao governo do Estado. Há quem diga que até hoje tem pessoas que acham que ele ainda é o prefeito. A Cinthia se tornou uma prefeita desconhecida até então. As pessoas não identificam ela nas ruas. Nos eventos, como foi o caso do aniversário de Palmas, a prefeita foi vaiada quando tentava brincar com o público que foi a Praia da Graciosa para assistir ao show da dupla Henrique e Juliano.

Na última semana a prefeita deixou claro que tudo precisa ser mudado. As peças no tablado da forma que estão nem de longe surtiram os resultados esperados. Com um pelotão de frente formado por pessoas desconhecidas do cenário local, a prefeita se distancia a cada dia da realidade. Pessoas ligadas a prefeita comentam que existe uma blindagem tão forte a sua volta que até mesmo alguns secretários têm dificuldade de despachar assuntos de interesse do município.

Um dos grandes desafios da prefeita agora é controlar o superego dos seus assessores mais próximos. Por enquanto o prédio onde funciona a prefeitura de Palmas no centro da cidade se tornou a grande Torre de Babel. Existe de tudo um pouco por lá menos a comunicação e entendimento dos seus principais assessores. Enquanto isso o fogo e artilharia do ex-prefeito Carlos Amastha se volta contra a ex-aliada e agora prefeita. Nas redes sociais Amastha tem mirado em direção ao paço sem dó e nem piedade. Mas como em política existe a prerrogativa de sempre o sujo falar do mal lavado o ex-prefeito está na sombra de uma CPI que investiga um rombo de mais 50 milhões que saíram do fundo de pensão dos servidores e foram parar no falido projeto Cais Mauã no Rio Grande do Sul. Por enquanto a população de Palmas demonstra não ter visto diferença na transição de um para o outro. E até o ano que vem a prefeita terá o desafio de construir uma imagem política e se tornar competitiva a uma possível reeleição.

Nos últimos 20 anos de Tocantins já vi e relatei muitas coisas. Presenciei o plantio dos girassóis na grande Praça dos Girassóis por Siqueira Campos e mais adiante arrancada igual erva daninha por seu antigo aliado Marcelo Miranda, depois do rompimento político que esfacelou a antiga UT – União do Tocantins. Vi o Palácio Araguaia ser mutilado quando Miranda mandou arrancar do seu frontal os frontispícios, obras do artista Mauricio Bentes, que representava o sol e os girassóis símbolo do estado. Presenciei o apogeu e declínio de Siqueira Campos. Também registrei o retorno de Siqueira ao poder depois de 8 anos de autoexílio. Inclusive, o silêncio do fundador do Estado foi quebrado a partir das páginas do jornal O GIRASSOL, na matéria intitulada “Aos que magoei peço perdão”.

O forte e imbatível Siqueira Campos conseguiu sensibilizar e “combinar” sua volta com o povo. No dia que a matéria saiu o chão do Tocantins tremeu nascendo ali o  “Siqueirido”. Vi o ex-prefeito Odir Rocha demover sua candidatura à reeleição praticamente coagido pelo grupo político que fazia parte. Presenciei líderes políticos se digladiarem e no dia seguinte aparecerem de mãos dadas para os eleitores. Vi o Rio Tocantins sair do seu leito e contornar a bela Palmas num color de rara beleza. Vi Palmas se tornando princesa e o Tocantins mostrando ao mundo seu potencial econômico e turístico. Vi políticos sendo arruinados por não conseguir ouvir a voz do povo. Vi a vaidade sepultar alguns que encaravam o poder como eterno. Já vi quase tudo menos uma “combinação” que não seja feita com o povo eleger um deles. (Wibergson Gomes)

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