Monday, 21 de September de 2020

POLÍTICA


Brasília

Por iniciativa de Kátia Abreu, Senado homenageia Folha de São Paulo

15 Mar 2019
Geraldo Magela Por iniciativa de Kátia Abreu, Senado homenageia Folha de São Paulo

O Senado realizou nesta quinta-feira (14) sessão de homenagem ao trabalho do jornalista Otávio Frias Filho (1957-2018), e à história do jornal Folha de S.Paulo, que completa 98 anos. O requerimento para a realização da audiência foi da senadora Kátia Abreu (PDT-TO). Senadores e convidados comentaram a postura da Folha ao longo das últimas décadas e nos dias atuais.

Ao falar sobre Otávio Frias Filho, a senadora Kátia Abreu lembrou que o jornalista comandou, por décadas, o maior jornal do país, sem perder de vista o contraditório, a pluralidade e a diversidade de vozes.

“Fiquei honrada e feliz quando o convidei e ele aceitou visitar o Tocantins. Além de Palmas e Formoso do Araguaia, um grande polo de produção de grãos, estivemos também no Jalapão. O excepcional jornalista crítico, apartidário e pluralista que deixou o jornalismo muito melhor – e muito maior – do que encontrou estava ali, ao lado dos artesãos e das artesãs do meu Estado, no Jalapão, conversando sobre a realidade do nosso Brasil profundo. Apreciou os pontos turísticos de uma beleza esplendorosa no Jalapão: tomou banho no fervedouro, caminhou pelas dunas alaranjadas e se emocionou com a força da Cachoeira da Velha. Se ele estivesse na sede da Folha de S.Paulo ou no interior do Tocantins, era a mesma pessoa: sinônimo de simplicidade e de correção.”

A parlamentar também defendeu a liberdade de imprensa. Kátia disse que a democracia passa por um momento delicado, com constantes ataques a imprensa, e criticou qualquer tipo de censura à liberdade de expressão.

"Nada é mais importante do que isso. Eu não conheço nenhuma democracia no mundo onde a imprensa seja amordaçada, calada, destruída, criticada, abusada. Contestar, sim! Esse é um direito que todos nós temos se nos sentirmos injustiçados" disse.

Na mesma linha, o senador Renan Calheiros (PMDB-AL) frisou que nunca a sociedade brasileira consumiu tanta informação ao mesmo tempo, e que isso facilitar a propagação de fake news, que devem ser combatidas. Entretanto, não há espaço para calar a informação.

“Da nossa perspectiva, temos que reiterar uma firme posição em defesa da democracia e seu mais importante reflexo, a liberdade de expressão, interditando qualquer ensaio na tentativa de controlar o livre debate no País. O modelo democrático brasileiro, a exemplo das nações modernas, se opõe ao pensamento único e monocrático, inservível à própria democracia.”

Representante do Supremo Tribunal Federal (STF) na sessão, o ministro Gilmar Mendes reconheceu o trabalho do jornal e de Frias.

— Nem sempre gostei do que a Folha publicou sobre o meu desempenho, discordei da opinião do jornal muitas vezes, mas sempre considerei que a imprensa livre não existe para agradar a este ou aquele, tampouco a mim. E sempre reconheci no jornal e naquele que o comandou com brilho e talento, a honestidade de propósito. O grande valor da democracia está nas divergências — disse o ministro.

Autocrítica
Os senadores lembraram a instalação do Projeto Folha, que em 1984 abriu uma nova proposta de jornalismo “crítico, apartidário, pluralista e moderno”, nas palavras do senador Antônio Anastasia (PSDB-MG).

Integrando a Mesa durante a sessão de homenagem, a atual diretora de Redação do jornal, Maria Cristina Frias, detalhou essa linha editorial:

— A ideia central do jornalismo que praticamos é que os poderes numa sociedade democrática precisam ser contrastados, não podem ser exercidos sem crítica ou contrapeso, sob o risco de se desviarem para o arbítrio.

De acordo com ela, o jornalismo não pode ser exercido “num vácuo de autocritica e controle internos”. Maria Cristina Frias destacou que, mesmo quando o jornalismo é praticado sob estritos protocolos técnicos, a capacidade de enxergar todo o campo é limitada — até pela natureza apressada do ofício — e incompleta do objeto.

— É um fiapo de história que ainda não se revelou por inteiro — descreveu.

Maria Cristina Frias reconheceu que o jornalismo está sujeito a cometer erros e impropriedades. Uma maneira de reduzir esse risco, observou, é instalar mecanismos de autocontrole.

— A Folha tem como rotina inarredável ouvir os argumentos de quem foi criticado nas matérias. Cultiva a pluralidade no seu quadro de jornalistas, colunistas e articulistas. O intuito é permitir o florescimento de um jornalismo crítico e preciso e leal com leitores, fontes e personagens da notícia.

 O presidente da ANJ, representando todos os jornais do Brasil, reforçou que livre exercício do jornalismo é fundamental para a sociedade e é inseparável da democracia.

“A Folha segue com brilho a direção apontada por Otavio, agora com a Maria Cristina na difícil tarefa de substituí-lo. A ANJ cumprimenta Maria Cristina e todos aqueles que fazem, a cada dia, a cada minuto, a Folha de S.Paulo. Que vocês prossigam com sua missão, assim como todos os que fazem jornalismo profissional, independente e de qualidade em nosso País. Repito: precisamos de mais e mais jornalismo, precisamos de mais e mais liberdade de imprensa”, falou.

Otávio Frias Filho
A sessão de homenagem aos 98 anos do jornal também foi um reconhecimento ao trabalho de Otávio Frias Filho na condução do jornal desde 1984 até o ano passado, quando morreu, aos 61 anos, vítima de um câncer.

Frias foi idealizador do código de ética da Associação Nacional de Jornais, que contém os princípios da auto-regulamentação dos periódicos brasileiros, trazendo ideias de independência, busca da verdade, profissionalismo, compromisso com os valores da democracia, reconhecimento e correção de erros.

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