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Catador relembra lutas e fala com orgulho de seu trabalho em prol do meio ambiente

26 Dec 2017

"Muita gente não se importa com suas ações e nem com o destino do que jogam no lixo. Já fui discriminado e chamado de lixeiro devido ao trabalho que faço. Antes tinha vergonha e raiva da forma como as pessoas me tratavam, mas hoje em dia sei que meu trabalho é importante para a cidade e estou fazendo minha parte em busca de um futuro melhor para todos", relatou o catador de materiais recicláveis José Santana de Miranda, de 67 anos, e que há 15 faz a diferença na Capital.

O trabalho como catador não iniciou por opção, mas segundo ele foi por extrema necessidade. Residente em Palmas desde os primeiros anos de existência da cidade, Miranda ganhava o pão de cada dia como estivador, atividade que exerceu por muitos anos, mas que foi brutalmente interrompida após sofrer um acidente de trânsito e ter a mão esquerda atingida por um carro. "Passei por várias cirurgias na esperança de conseguir ter meus movimentos de volta, mas não consegui e isso me obrigou a procurar uma nova forma de ganhar a vida, já que eu não tinha mais forma e nem jeito para pegar objetos com a mesma facilidade de antes", lamenta.

Sem ter concluído os estudos, a opção foi trabalhar como catador de materiais recicláveis. Atividade que exerce atualmente com muita sabedoria. "No começo nada é fácil, mas a cada dia venço uma batalha em busca dos meus sonhos". Pai de oito filhos, já adultos, o sustento da família sempre veio daquilo que já não tinha mais serventia para as pessoas.

Atualmente residindo em Luzimagues, distrito de Porto Nacional, Miranda garante que apesar de todos os desafios enfrentados, que inclui uma renda mensal em torno de R$ mil, ele vai se virando como pode e sua intenção é continuar trabalhando como catador. "Meu sonho mesmo é ter a minha própria prensa de papel. Isso seria maravilhoso e facilitaria meu trabalho, além de aumentar meus ganhos", acredita.

União faz a força

A Política Nacional de Resíduos Sólidos estabeleceu uma série de objetivos e diretrizes para a gestão e gerenciamento dos resíduos sólidos em todo o País, incluindo as responsabilidades do poder público, consumidores e geradores. Dentre as ações desenvolvidas pela Prefeitura de Palmas está à presença de um aterro sanitário, em substituição ao antigo lixão e o Coleta Palmas, programa específico de coleta seletiva na cidade, desenvolvido pela Fundação de Meio Ambiente (FMA), em parceria com as secretarias.

Mas apesar dessas ações ainda falta mais apoio de boa parte da população para aderir à prática da coleta seletiva em casa, lugar em que é produzida a maior parte do material. Quanto a isso, José Miranda manda um importante recado. "Não adianta só o catador e algumas poucas pessoas se preocuparem com o destino dos seus rejeitos. Muito do que é considerado lixo por muitos pode sim ser reciclado e ter sua vida útil aumentada", garante o catador.

Sobre a atuação dos catadores no Coleta Palmas, o secretário da FMA, Hebert Veras, explica que eles são peças-chave no mecanismo. "A iniciativa começa da população ao levar os materiais aos pontos de coleta. O segundo passo é o recolhimento por parte dos catadores, que realizam a triagem e o acondicionamento. O processo em Palmas finaliza com a destinação às grandes indústrias de outros Estados", detalha.

O diretor de Gestão Ambiental da FMA, Vinícius Parrião, explica que a atividade do catador é muito importante, já que boa parte dos materiais coletados em Palmas vem das mãos dos catadores. "Se não fosse o trabalho feito por eles de forma individual e por meio das associações, a maioria dos rejeitos continuaria indo para o aterro. Isso também garante o aumento da vida útil do aterro, além do retorno desses materiais que

Números expressivos

De acordo com o Movimento Nacional dos Catadores de Materiais Recicláveis (MNCR), diariamente no Brasil são jogados 76 milhões de toneladas de lixo, das quais 30% poderiam ser reaproveitados. Desse total que poderia ser reaproveitado, apenas 3% vão para a reciclagem.

Quanto às perdas econômicas, o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), indica que o Brasil deixa de ganhar cerca de R$ 8 bilhões anualmente por não reciclar os resíduos gerados pela população e empresas.

Ainda de acordo com o MNCR o mundo conta atualmente com cerca de 15 milhões de catadores de materiais recicláveis. Quanto ao Tocantins, o número mais atualizado aponta 1.078 catadores, quatro cooperativas, nove associações e dois grupos informais ligados ao tema. Os números fazem parte do diagnóstico do Projeto Lixo & Cidadania, elaborado pelo governo do Estado.

Quanto às cidades em que se encontram esses catadores, o relatório aponta 130 vivendo  em Palmas, 95 na cidade de Gurupi e 94 em Araguaína. Os homens estão entre a maioria, representando 65% desse público.

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