Palmas, 23/01/2018

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Catador relembra lutas e fala com orgulho de seu trabalho em prol do meio ambiente

  • Sem ter conclu√≠do os estudos, a op√ß√£o foi trabalhar como catador de materiais recicl√°veis. Atividade que exerce atualmente com muita sabedoria

Catador relembra lutas e fala com orgulho de seu trabalho em prol do meio ambiente



"Muita gente n√£o se importa com suas a√ß√Ķes e nem com o destino do que jogam no lixo. J√° fui discriminado e chamado de lixeiro devido ao trabalho que fa√ßo. Antes tinha vergonha e raiva da forma como as pessoas me tratavam, mas hoje em dia sei que meu trabalho √© importante para a cidade e estou fazendo minha parte em busca de um futuro melhor para todos", relatou o catador de materiais recicl√°veis Jos√© Santana de Miranda, de 67 anos, e que h√° 15 faz a diferen√ßa na Capital.

O trabalho como catador n√£o iniciou por op√ß√£o, mas segundo ele foi por extrema necessidade. Residente em Palmas desde os primeiros anos de exist√™ncia da cidade, Miranda ganhava o p√£o de cada dia como estivador, atividade que exerceu por muitos anos, mas que foi brutalmente interrompida ap√≥s sofrer um acidente de tr√Ęnsito e ter a m√£o esquerda atingida por um carro. "Passei por v√°rias cirurgias na esperan√ßa de conseguir ter meus movimentos de volta, mas n√£o consegui e isso me obrigou a procurar uma nova forma de ganhar a vida, j√° que eu n√£o tinha mais forma e nem jeito para pegar objetos com a mesma facilidade de antes", lamenta.

Sem ter concluído os estudos, a opção foi trabalhar como catador de materiais recicláveis. Atividade que exerce atualmente com muita sabedoria. "No começo nada é fácil, mas a cada dia venço uma batalha em busca dos meus sonhos". Pai de oito filhos, já adultos, o sustento da família sempre veio daquilo que já não tinha mais serventia para as pessoas.

Atualmente residindo em Luzimagues, distrito de Porto Nacional, Miranda garante que apesar de todos os desafios enfrentados, que inclui uma renda mensal em torno de R$ mil, ele vai se virando como pode e sua intenção é continuar trabalhando como catador. "Meu sonho mesmo é ter a minha própria prensa de papel. Isso seria maravilhoso e facilitaria meu trabalho, além de aumentar meus ganhos", acredita.

União faz a força

A Pol√≠tica Nacional de Res√≠duos S√≥lidos estabeleceu uma s√©rie de objetivos e diretrizes para a gest√£o e gerenciamento dos res√≠duos s√≥lidos em todo o Pa√≠s, incluindo as responsabilidades do poder p√ļblico, consumidores e geradores. Dentre as a√ß√Ķes desenvolvidas pela Prefeitura de Palmas est√° √† presen√ßa de um aterro sanit√°rio, em substitui√ß√£o ao antigo lix√£o e o Coleta Palmas, programa espec√≠fico de coleta seletiva na cidade, desenvolvido pela Funda√ß√£o de Meio Ambiente (FMA), em parceria com as secretarias.

Mas apesar dessas a√ß√Ķes ainda falta mais apoio de boa parte da popula√ß√£o para aderir √† pr√°tica da coleta seletiva em casa, lugar em que √© produzida a maior parte do material. Quanto a isso, Jos√© Miranda manda um importante recado. "N√£o adianta s√≥ o catador e algumas poucas pessoas se preocuparem com o destino dos seus rejeitos. Muito do que √© considerado lixo por muitos pode sim ser reciclado e ter sua vida √ļtil aumentada", garante o catador.

Sobre a atua√ß√£o dos catadores no Coleta Palmas, o secret√°rio da FMA, Hebert Veras, explica que eles s√£o pe√ßas-chave no mecanismo. "A iniciativa come√ßa da popula√ß√£o ao levar os materiais aos pontos de coleta. O segundo passo √© o recolhimento por parte dos catadores, que realizam a triagem e o acondicionamento. O processo em Palmas finaliza com a destina√ß√£o √†s grandes ind√ļstrias de outros Estados", detalha.

O diretor de Gest√£o Ambiental da FMA, Vin√≠cius Parri√£o, explica que a atividade do catador √© muito importante, j√° que boa parte dos materiais coletados em Palmas vem das m√£os dos catadores. "Se n√£o fosse o trabalho feito por eles de forma individual e por meio das associa√ß√Ķes, a maioria dos rejeitos continuaria indo para o aterro. Isso tamb√©m garante o aumento da vida √ļtil do aterro, al√©m do retorno desses materiais que

N√ļmeros expressivos

De acordo com o Movimento Nacional dos Catadores de Materiais Recicl√°veis (MNCR), diariamente no Brasil s√£o jogados 76 milh√Ķes de toneladas de lixo, das quais 30% poderiam ser reaproveitados. Desse total que poderia ser reaproveitado, apenas 3% v√£o para a reciclagem.

Quanto √†s perdas econ√īmicas, o Instituto de Pesquisa Econ√īmica Aplicada (IPEA), indica que o Brasil deixa de ganhar cerca de R$ 8 bilh√Ķes anualmente por n√£o reciclar os res√≠duos gerados pela popula√ß√£o e empresas.

Ainda de acordo com o MNCR o mundo conta atualmente com cerca de 15 milh√Ķes de catadores de materiais recicl√°veis. Quanto ao Tocantins, o n√ļmero mais atualizado aponta 1.078 catadores, quatro cooperativas, nove associa√ß√Ķes e dois grupos informais ligados ao tema. Os n√ļmeros fazem parte do diagn√≥stico do Projeto Lixo & Cidadania, elaborado pelo governo do Estado.

Quanto √†s cidades em que se encontram esses catadores, o relat√≥rio aponta 130 vivendo  em Palmas, 95 na cidade de Gurupi e 94 em Aragua√≠na. Os homens est√£o entre a maioria, representando 65% desse p√ļblico.


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