Friday, 13 de December de 2019

VIVER


Turismo

PARÁ: um Estado para voltar sempre!

29 Oct 2019
Vista geral de Belém PARÁ: um Estado para voltar sempre!

Texto: Suzana Barros
Fotos: Marcos Barbosa


Olha que incrível: o Pará tem seu nome originado da língua tupi e significa “mar”. Diria que um mar bem mais grandioso do que a mente humana possa imaginar.  Um mar de belezas naturais, compostas por paisagens que envolvem rios, praias de mar, ilhas, fauna, flora... floresta e cidades com belezas bem peculiares.

Conhecer o Pará requer calma. Calma pra decidir aonde ir, o que fazer, pra descobrir uma infinidade de segredos, desfrutar atrativos e uma infinidade de experiências e sensações que farão parte da sua memória afetiva e turística. Pra sempre!
A melhor época para visitar? Todas! A escolha deve ser de acordo com o que você pretende conhecer e experimentar. A chuva e o sol se revezam durante o dia.  Mas se você é menos resistente ao calor, opte por conhecê-lo de junho a janeiro, período em que não chove tanto e o clima é mais ameno.

Polos Turísticos
Tamanha diversidade de atrativos, foram divididos pela Secretaria Estadual de Turismo do Pará em seis Polos Turísticos: Belém, Marajó, Amazônia Atlântica, Tapajós, Xingu e Araguaia-Tocantins.

Estação das Docas

Belém: o coração da Amazônia
Por onde começar? O ideal é pela capital, Belém. Com uma população de 1.485.732 habitantes (IBGE/2018), abriga, num mesmo espaço, belezas naturais e urbanas. Explora o novo sem desprezar o seu passado, retratado numa arquitetura que preserva casarios coloniais dos tempos áureos da indústria da borracha.

Alguns dizem que Belém é a porta de entrada para a Amazônia. Eu diria que ela é o coração. A joia mais preciosa que a região preserva. Vale destacar a invejável infraestrutura turística, com boas pousadas e hotéis de todas as categorias. Para definir onde ficar, faça uma busca nos sites de hospedagens e escolha uma de acordo com sua programação e reserva financeira. Dentre eles, o https://www.booking.com e o https://www.tripadvisor.com.br.

Na vasta lista de atrações em Belém, sugiro conhecer o Ver-o-Peso, mercado público desde 1901. Com uma diversidade de alimentos, é o lugar certo pra se conhecer a raiz e a cultura do povo paraense. Tem algo que eu adoooro: dar um “pulinho” nas erveiras, mulheres que vendem produtos naturais da região e garrafadas, receitas líquidas vendidas em garrafas, recomendadas pra tudo o que você possa imaginar. Sério! Como eu não sou besta, comprei uma loção pra prender a pessoa amada. kkkk

Os complexos culturais, a exemplo do Feliz Lusitânia e o Espaço São José Liberto, que abrigam museus, galerias e espaços de cultura em locais privilegiados, não podem ficar de fora. Oferecem como bônus uma linda vista da Baía do Guajará.

Em arquitetura moderna, intercalada com áreas verdes, o Mangal das Garças destaca-se por apresentar viveiros com aves da região. Ah... lá possui um Bor-bo-le-tá-rio incrível, onde é possível observar, de pertinho, centenas de borboletas nas mais diversas cores. O Museu Emílio Goeldi também é opção pra quem quer conhecer a fauna e flora do Estado.

Não deixe de fazer uma visita ao Centro Histórico, passando pelo Theatro da Paz e pela Basílica de Nossa Senhora de Nazaré. Construída em 1909, conserva arquitetura neoclássica. É da Basílica de onde parte e chega o Círio de Nazaré, a maior procissão católica do país, com mais de dois milhões de participantes.

A cidade oferece em centenas de bares, restaurantes e quiosques os mais variados sabores da região. Inadmissível deixar de ir à Estação das Docas, espaço localizado no antigo Porto Fluvial. Procure provar pratos típicos e petiscos à base de peixes e frutos do mar. E mais: não saia sem provar os sorvetes da Cairu (eleita melhor sorveteria do Brasil), a exemplo dos de tapioca, açaí (imperdível!), cupuaçu e outros. Amei!

Mas o Pará não é só Belém. Conhecer o Pará requer tempo, tranquilidade pra apreciar os mínimos detalhes presentes nas cidades: praias, povoados, mercados, gastronomia, cultura, artesanato, sonoridade dos ambientes, pessoas, união de costumes, artes... ufa! Com certeza esqueci muita coisa! Mas vamos lá...

Erveira: venda de produtos naturais da região

Marajó: uma ilha de encantos
Não poderia deixar de sugerir um passeio na Ilha de Marajó: o maior arquipélago fluviomarinho do mundo, banhado pelo oceano Atlântico e pelos rios Amazonas e Tocantins. Para se ter uma ideia, Marajó é composta por mais de 2.500 ilhas e ilhotas, abrangendo dezenas de municípios. “Tudo é diferente, lindo e carrega um espírito selvagem, natural. Sem dúvida, um dos destinos mais interessantes da região”, relata a turista Lúcia Pinheiro de Palmas (TO).

Localizada na foz do Rio Amazonas, é acessível por embarcações chamadas de catamarã, a partir de Belém. Entre os programas imperdíveis por lá, estão os passeios de búfalo, observação de aves raras (como o guará) e os jacarés em passeios pelos igarapés. A coisa mais linda do mundo! Também é possível praticar esportes, a exemplo do rafting e caminhadas por trilhas espetaculares: ouvindo e observando pássaros, animais e a vasta flora.

Dividida em 12 municípios, Marajó tem as cidades de Soure e Salvaterra como os principais destinos turísticos. Ao visitá-las, a impressão que se tem é que o tempo passa por lá em um compasso diferente do resto do mundo! O ideal é reservar de três a quatro dias para aproveitar bem.

Dentre os lugares a serem visitados, estão as ruínas da igreja construída pelos jesuítas no século XVII, em Joanes; e a praia de mesmo nome. Além da paisagem, você pode aproveitar a boa infraestrutura de bares na praia para comer algo e tomar uma cervejinha, comendo queijo de búfala, animal que já se tornou ícone da Ilha.

Em Soure, a recomendação é vivenciar a experiência do passeio de búfalo nas fazendas. A São Jerônimo oferece um que inclui trilha e passeio de canoa pelo igarapé do Tucumanduba, até a Praia do Goiabal. Pense num passeio emocionante! Pensou? Agora multiplique por mil!
A poucos quilômetros de Soure é possível visitar praias de mar. Duas delas, a Barra Vermelha (liiinda!) e a Praia do Pesqueiro, não menos bonita, têm boa infraestrutura pra almoço, bebidas e petiscos. Mais que recomendo!


Alter do Chão, Caribe do Amazonas

Amazônia Atlântica: encontro da Floresta com o oceano
Corresponde à faixa do litoral Atlântico do Estado, constituindo-se na maior e mais estruturada área turística de sol e mar da Amazônia Brasileira. O difícil é escolher entre os 49 municípios que compõem a região. Dentre os mais visitados e com boa estrutura turística, destacam-se Salinópolis, Bragança e Marapanim, berço do Carimbó, dança de ritmo contagiante e marca cultural no Pará.

Somada à história retratada na arquitetura das cidades, o cenário é enriquecido pelo encontro da Floresta Amazônica com o Oceano Atlântico: uma imagem única! É ver pra crer!

Os atrativos da região vão além das praias marítimas. Em Salinópolis e São Caetano de Odivelas, por exemplo, a pesca esportiva vem ampliando o fluxo turístico.

Santarém: a pérola do Tapajós
Terceiro maior município paraense, Santarém já foi aldeia dos índios tapajós. Hoje é o portal de entrada de um dos grandes polos turísticos do Estado: o Tapajós. A cidade oferece mais de 100 quilômetros de praias de água doce, com direito a ilhas, cachoeiras, lagos, igarapés...

Mesmo com o passar dos anos, a Pérola do Tapajós, como também é conhecida, não perde suas tradições regionais. No Mercadão 2000, encontra-se frutas, peixes e comidas regionais. Do movimentado Terminal Fluvial Turístico, com seus quiosques e artesanato típico em palha trançada, saem os populares passeios para ver o encontro das águas dos rios Tapajós e Amazonas. No mesmo passeio, é possível avistar botos cor-de-rosa e cinzas.
Belterra é outra cidade do Polo com vocação natural para o turismo. Destaca-se especialmente pela sua arquitetura típica americana, construída durante o boom do período da borracha, por Henry Ford, empresário e inventor americano que revolucionou a indústria automobilística.

Outros atrativos do Tapajós são as Florestas e as áreas de proteção. Dentre elas, destacam-se a Floresta Nacional do Tapajós; as Áreas de Proteção Ambiental de Alter do Chão; o Parque Nacional da Amazônia, além das comunidades quilombolas e das terras indígenas.

Caribe da Amazônia

No período de agosto a novembro, as margens do rio Tapajós adquirem um cenário deslumbrante: barcos rústicos, praias de areias branquiiinhas, banhadas por águas azul-turquesa quentes e doces...  O nome desse atrativo? Alter do Chão. De tamanha beleza, foi batizado de “Caribe da Amazônia”. Localizado a 1.358 km de Belém, convém um planejamento de viagem antecipado.

Mesmo disputadíssimo, oferece um ar rústico, especialmente pelas barracas de sapê, enriquecido pela natureza local.  Acrescente à tamanha beleza, as delícias da culinária local: à base de peixe fresco e de frutos do mar.

Se quiser conhecer um pouco mais da rica cultura do local, programe-se para visitar Alter em setembro, quando é realizada a “Festa do Sairé”, em homenagem à Santíssima Trindade. Fé, religiosidade, procissões, rituais e muita música, bebida e comidas típicas estão no cardápio. Os visitantes são recebidos com tarubá, bebida de origem indígena, à base de mandioca.  

Ilha de Algodoal

Aconchego, clima bucólico e rusticidade são as marcas da Ilha do Algodoal ou de Maiandeua (significa “Mãe da Terra” em tupi). O lugar é uma colônia de pescadores que reúne praias dentre as mais tranquilas e bonitas do Pará. As pousadas e restaurantes são simples e aconchegantes.

O grande lance é passear a pé, de carroça ou nas jangadas coloridas pelas praias de areia fininha, dunas, coqueirais e cajueiros. É comum ver quiosques com frutos do mar no cardápio e ouvir Carimbó tocando solto nos alto-falantes.

Riqueza Cultural do Pará

A mistura de raças e a identidade dos povos indígenas dão ao Pará uma riqueza cultural invejável, retratada em detalhes, como no linguajar local, passando pela culinária, artesanato, pelos ritmos musicais...

Fique atento! Se você ouvir expressões como “éeegua” ou “caraaalho” em algum lugar, não se assuste. Com certeza é uma referência a algo bom.

Culinária: sabores exóticos

Gastronomia?
Bem... essa é fora do comum! O melhor de conhecer o Pará é, sem dúvida, a riqueza das sensações que temos ao experimentar sua rica gastronomia à base de raízes, folhas da terra, frutos, castanhas e da fauna paraense, presente em cada município... Vai do pato no tucupi, tacacá, maniçoba, ao açaí (conhecido nacionalmente), cuscuz, moqueca de peixe, chibé, vatapá e muitas outras delícias encontradas somente na região. Isso sem falar nos pratos doces e nos deliciosos chocolates, recheados com doces de frutas regionais.

Como eu amooo “comida de rua”, sempre procuro um lugar seguro pra apreciar. Deixo uma dica imperdível que peguei com um paraense. Reserve um tempinho pra comer um bom e tradicional tacacá, vatapá ou maniçoba na porta do Colégio Nazaré, na avenida de mesmo nome, em Belém. Lembrando que em todo o Estado é possível encontrar essas comidas. Uma boa opção é acessar informações no link http://intercom2019.com.br/aquisecomebem/.

Artesanato: riqueza de cores e motivos

Artesanato
A riqueza artesanal do Pará nos leva a um encontro com as culturas milenares que deram origem ao artesanato paraense. A diversidade é rica e significativa. Destacam-se a cerâmica marajoara, fruto do trabalho dos índios da Ilha de Marajó; os feitos em Miriti; as cuias de Santarém, com seus belíssimos grafismos; além de objetos confeccionados com palha e galhos secos, cascas, patchouli, balata, madeira, sementes, bambu, pedras decorativas e areia, que dão origem a belas e originais embalagens.

Há também a cerâmica tapajônica, considerada uma das mais lindas do mundo. As cerâmicas decoradas, leves e resistentes, atiçam a cobiça de colecionadores. Existem inúmeros tipos: pratos, estatuetas, cachimbos e os famosos muiraquitãs ou muyrakytãs (do tupi). São artefatos talhados em pedra amazonita, em forma de animais (especialmente sapos, mas também tartarugas e serpentes), usados como amuletos, símbolos de poder, e ainda como material para compra e troca de objetos valiosos. Há muitas lendas e mitos sobre eles, sempre envolvidos com as índias amazonas, extintas ou lendárias.

Outras peças são confeccionadas nas fibras da juta e tururi: jogos de mesa, tapetes, bolsas, sacolas, panos, chapéus, bonecas, entre outras peças decorativas. Tem ainda as bijuterias artesanais, feitas com a casca do coco. Podem ser encontradas na Feira do Artesanato da Praça da República, em Belém.

Ritmos do Pará
Nenhum estado brasileiro é tão rico em ritmos peculiares quanto o Pará: vão do carimbó, lambada, lundu marajoara, siriá, até o tecnobrega, treme, calypso e a guitarrada. O ideal é ouvir as bikesom (bicicletas com sons), rádios locais, ficar atento às programações culturais durante sua visita ao Estado e não perder a oportunidade de conhecer nenhum deles!  

Círio de Nazaré atrai turistas do mundo inteiro

Festas religiosas
Os ritmos, os cantos e as danças — juntos a outros elementos — encontram-se nas manifestações religiosas e culturais do Estado. Dão, a cada uma delas, uma riqueza infinita de valores. Costumam atrair turistas de todas as partes do país e do mundo.

Uma delas é o Círio de Nazaré. Realizado no segundo domingo de outubro, uma devoção a Nossa Senhora do mesmo nome, é considerada a maior manifestação religiosa católica do país e um dos maiores eventos sagrados do mundo. Durante os 15 dias em que é realizado, atrai turistas e devotos que se encontram principalmente pra participar das várias e gigantescas procissões.

Os festejos de São João vão além da tradicional exibição de quadrilhas juninas. Em Belém, a cultura popular da região tem seu lugar garantido com o Arraial do Pavulagem, que arrasta pelas ruas da cidade um público entusiasmado de cerca de 20 mil pessoas a cada fim de semana durante o mês de junho.

A Marujada de Bragança é uma dança religiosa em comemoração à criação da Irmandade de São Benedito. As apresentações acontecem entre os dias 25 de dezembro e 6 de janeiro: ricas em música e dança, na cidade de Bragança, a 228 km de Belém.

Viu só? O Pará é um caldeirão repleto de imagens, cores, musicalidade, magia e expressividade cultural. Diante de tanta riqueza de lugares e experiências a serem vivenciadas, posso afirmar: conhecer o Pará não é pra um dia só. Conhecer o Pará é pra vida inteira. É um ir e vir que se concretiza com o primeiro contato. Depois, é só ir se reprogramando pra conhecer mais um lugar, uma festa, uma comida.

E uma última dica: ao se planejar não deixe de visitar a página do Governo do Estado www.setur.pa.gov.br , onde você pode pegar detalhes sobre datas, locais e tirar outras dívidas indispensáveis pra sua viagem. Como já falei, ao Pará a gente volta sempre!

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